duende
Indo ao Satyros semana passada, escutando o rumor das palmas ao fim do espetáculo, depois de uma hora e meia de silêncio e absorção, não pude deixar de entender perfeitamente a frase abaixo. Estávamos (inocentemente?) espantando a estranheza, a mudança, a iminência do confronto. Uma volta ao estado latente era o que queríamos no caminho de casa.
“Às vezes as pessoas parecem aplaudir certas peças, certos filmes, certos poemas, mas estão na verdade, primitivamente (lembrança de algum rito arcaico), fazendo um barulho com as mãos, um barulho que espante o espírito-travesso ou ‘duende’ que, no final de toda obra de arte intensa, surgiria para ‘obrigá-los a mudar de vida’”. (Rainer Maria Rilke)