num sonho
eu estava com ela, finalmente, como tanto imaginara, acordado, ela estava ali, podia abraçar e beijar e pensava que sim, ter alguém ao lado era bom, ter alguém para lhe sorrir e amar e afogar-se em prazer era bom, todo o peso desaparecia e só restava o beijo iminente de qualquer hora. a todo momento queria segurar-lhe a mão, ia direto em seus dedos, agarrar firme, sentir, uma extensão, mas ela logo tirava. eu segurava, dávamos alguns passos, de repente a gente corria, havia uma velocidade, mas logo duas, destoantes, um queria correr e o outro não, então ela soltava, parecia que não queria estar ali, pelo menos não por completo, não tinha certeza de que aqueles eram seus beijos e abraços. ela soltava, era como o vento que passava e levava a mão consigo, soltava porque no fundo se lembrava, no fundo era podridão, meus pecados de sempre, ainda não tinha o seu perdão, talvez apenas uma relevância, mas perdão jamais, isso não, eu teria essa dívida eterna com ela. era o constante buscar da mão, sentir que sim, ali eu poderia ficar para sempre, para em seguida tudo romper. porque havia fraqueza, era preciso ir embora, ela não mais me pertencia, aliás, nunca.